quarta-feira, 18 de setembro de 2013

detalhes do funcionamento da SOMAIÊ



Somaiê
pedagogia do observar

          A Somaiê nasceu como vertente da SOMA, uma terapia anarquista, criada por Roberto Freire. Ao longo de 12 anos a Somaiê passou por mudanças variadas, dentre elas a incorporação da obra do neurocientista chileno Humberto Maturana, a Biologia do Conhecer. Essa junção de teorias tem sido nosso paradigma na proposta de uma pedagogia e dinâmica de grupo com características únicas.


          Entre os dias 11 e 15 de maio realizamos no Vale do Pavão, na região turística de Visconde de Mauá – RJ um seminário de Somaiê e Te&So convocado por mim e com a participação do núcleo de Somaiê de Belo Horizonte (Camilo, Lucas e Bruno – que se afastou logo em seguida da formação). Nesse seminário definimos novas diretrizes na forma da Somaiê. Esse encontro também marca o inicío de uma nova evolução da Somaiê, de uma coisa vagabunda nasce a pedagogia do observar.

          Pelas experiências que tivemos com os últimos grupos de Somaiê: em Belo Horizonte e em São Paulo, e por outras condições que remontam um contexto mais amplo, mudanças estruturais estão sendo construídas para 2013.          O processo pedagógico e terapêutico que propomos com a Somaiê dura em torno de 18 a 24 meses, e se caracteriza por uma organização e estrutura.

Organização:

         São 4 fases diferentes: Aproximação, Aprendizado, Aprofundamento e Pedagogia para a vida (Cadeiras quentes).
         Em cada fase acontecem as atividades mensais que compõem a estrutura abaixo descrita, porém em dois meses de cada fase trocamos a estrutura por duas atividades marcadas antecipadamente com os grupos: VIVÊNCIAS EM VISCONDE DE MAUÁ e ENCONTROS DE TE&SO.

Estrutura:

- atividades com o somaterapeuta e equipe técnica: São 20 horas de atividades mensais, sendo que 12 horas são concentradas em UM FINAL DE SEMANA POR MÊS e 8 horas distribuídas semanalmente. Quando o somaterapeuta mora na mesma cidade do grupo, elas podem ser mais diluídas, conforme disponibilidade do terapeuta e consensos do grupo.
No decorrer dos 20 meses do grupo
que 9h são de VIVÊNCIAS conduzidas pelo somaterapeuta ou co-terapeuta, 2h são de dinâmica de organização em que o grupo faz uma leitura sobre suas produções autogestivas e 1h de leitura sobre a prática da capoeira mensal. As 8h restantes são de TREINOS DE CAPOEIRA ANGOLA conduzidos pela equipe técnica, tendo cada treino semanal a duração de 2 horas. Em Belo Horizonte essas 8h serão conduzidas pela equipe de formação. Em São Paulo, veremos como adequar a proposta com capoeiristas, devido a ausência de formandos da Somaiê atualmente na cidade.

- atividades entre o grupo: Nessas atividades não há a presença do somaterapeuta e co-terapeuta. São duas atividades, GRUPÃO e CAPOEIRÃO, sendo que os grupões começam a partir da 2ª fase e os capoeirões na 3ª fase. Os GRUPÕES são reuniões mensais (dependendo do momento do grupo podem ocorrer com maior periodicidade) para os membros vivenciarem suas relações sem a liderança dos terapeutas e com organização a ser criada autogestionariamente. O CAPOEIRÃO é uma atividade voltada para treinos de capoeira angola.


AS QUATRO FASES DA SOMAIÊ

-  Aproximação: é a fase INDIVIDUAL da Somaiê, ou seja, começa a acontecer a medida que interessados na técnica começam a vivenciar as propostas da terapia, porém as atividades estruturais ainda não tem uma forma definida. Tanto a quantidade de Vivências, como o pagamento seguem definições do terapeuta adequando as potencialidades da técnica conforme a quantidade de participantes. Esta fase tem uma duração variada, depende dos participantes desejarem assumir as atividades coletivamente, isso é verificado pelo terapeuta – sempre buscando o consenso com os participantes. Ao final dessa FASE acontece a primeira VIVÊNCIA EM VISCONDE DE MAUÁ, e antes disso um Encontro de Te&So.

- Aprendizado, nesta fase o grupo começa a experimentar a autogestão na estrutura, porém continua aberto a entrada de novos membros. Começam as atividades do GRUPÃO. Esta fase pode durar entre 2 e 4 meses. A passagem desta fase para a próxima dependerá totalmente do amadurecimento da dinâmica, ou seja, do aprendizado básico da autogestão, que pode ser exemplificado no pagamento coletivo e no cumprimento de horários. Quando o grupo se fecha a pessoas novas, acontece a 2ª Vivência de Visconde de Mauá.

- Aprofundamento: Nessa fase só participam pessoas que participaram ao menos 2 meses da fase anterior (ou seja, a 2ª Vivência em Visconde de Mauá e mais um mês). Começam as atividades de CAPOEIRÃO. Esta fase é a mais longa do processo da pedagogia do observar, variando a duração entre 8 e 12 meses. As vivências aprofundam o processo de diagnóstico de problemas e servem de um laboratório para os participantes vivenciarem outras formas de perceber a realidade. É muito comum acontecerem crises individuais e da autogestão coletiva e somente com esse amadurecimento se pode alcançar a próxima etapa. Nessa fase a viagem a Visconde de Mauá pode acontecer em qualquer momento a ser definido pelo grupo junto ao terapeuta.

- Pedagogia para a vida (Cadeiras quentes): Depois de mais ou menos 15 meses de convívio, envolvimento, trocas e percepções diversas com sinceridade vivencial, potencializado com três Vivências de Campo e atividades variadas acontecidas nos Encontros de Te&So, é momento do grupo voltar-se para cada membro individualmente. A Cadeira quente é um processo inspirado nas hot seats da Gestalterapia e na própria cadeira quente da Soma, em que todo o grupo fica em foco a cada vivência, ou seja, cada membro do grupo terá seu momento de cadeirado, inclusive o somaterapeuta, co-terapeuta e assistentes. Esse é o momento de radicalizar na percepção do multiverso criado pela soma dos universos de cada participante. Enquanto nas fases anteriores o conteúdo político era vivenciado no cotidiano da Somaiê, na Cadeira quente o caminho da objetividade-entre-parênteses é levado a prática final. Após todos os membros do grupo passarem pela cadeira, somaterapeuta e equipe técnica, é momento de finalizar o processo terapêutico com a quarta e última Vivência de Campo e depois, o último Encontro de Te&So.


SOBRE OS
ENCONTROS DE TE&SO

         Esses encontros nasceram em 2005 como a primeira das modificações estruturais da técnica. Foram uma evolução do Curso de Pedagogia Libertária criado nas Casas da Soma de SP e RJ, da década de 1990 a 2000. Servem de uma ponte entre a dinâmica dos grupos com a sociedade em geral. Servem de um aprofundar no aprendizado libertário com profissionais de áreas diversas. E voltam nessa nova fase da Somaiê, pedagogia do observar com uma função de melhor aproveitar a Biologia do Conhecer e suas nuances Entre 2010 e 2012 ficaram em segundo plano e fizeram falta nos últimos grupos. Principalmente a relação com o Jornal Tesão mostrou as fraquezas do viver autogestivo dos grupos, pois faz parte dos Encontros do Te&So aproveitar a voz impressa desse jornal (criado em 1994 e renumerado em 2002) como uma explicitação política e um brincar de produção editorial.

Rui Takeguma, setembro de 2013, modificando texto de maio/2013 de Lucas Salazar.

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